O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/01/2022
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira apresenta como quais são as dificuldades de concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de informação, quanto da negligência do Estado. Diante disso, torna-se essencial a discussão desses apectos, um fim do funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o estigma associado ao HIV na sociedade brasileira deriva da ausência de informação, no que concerne às noções básicas como formas de tratamento e contágio. Tudo isso contribui para que o tema seja silenciado, bem como na ocorrência descriminatória contra pessoas matadas de tal patologia. Jurgen Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação, na qual abre espaço crítico e pluralista para o entendimento humano. Nessa perpectiva, para que a discriminação contra pessoas com HIV seja dirimida em meio à sociedade, torna-se necessário o debate sobre esse tema que se apresenta silenciado. Desse modo, faz-se mister a reformulação de tal postura de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a negligência do Estado como promotora do estigma presente na sociedade brasileira em relação ao HIV. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das “Instituições zumbis” do sociólogo Zygmunt Bauman, que as experiências como presentes na sociedade, todavia sem cumprirem seu dever social com eficácia. Partindo desse pressuposto, vê-se que o Estado torna-se negligente não tocante à realização de campanhas socioeducativas que visam elevar o nível de informação da população, pondo fim aos preconceitos vinvenciados pelas pessoas que chegam com HIV. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a negligência do Estado contribui para perpetuação desse quadro deletério.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Saúde ofertar o conhecimento adequado relativo ao HIV, por meio de campanhas socioeducativas avaliadas por agentes de saúde, que deve abordar o tema em questão nas visitas comunitárias, um fim de divulgação do conhecimento, minimizado o estigma do HIV e com isso por fim ao preconceito. Desse modo, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do estigma relativo ao HIV, e a coletividade alcançará a Utopia de More.