O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 12/01/2022

Vitimado pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), o cantor Renato Russo faleceu precocemente aos 36 anos. Antes de partir, ele retratou sua angústia frente às consequências da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) na música “Via Láctea”, em 1996, o ano de sua morte: " Quando tudo está perdido, eu me sinto tão sozinho. Quando tudo está perdido, não quero mais ser quem eu sou…". Atualmente, os recursos oferecidos pela medicina permitem que os portadores de HIV não mais desenvolvam AIDS , por isso a infecção, apesar de incurável, pode ser tratada como uma doença crônica, cujos indivíduos infectados levam uma vida normal, desde que sigam rigorosamente o tratamento disponível. Entretanto, devido à desinformação da sociedade brasileira sobre o HIV, o diagnóstico permanece carregado de estigmas como décadas atrás, cuja consequência trazida pode ser a recusa do tratamento por muitos portadores.

Em primeiro plano, a desinformação da sociedade brasileira a respeito do HIV figura como principal causa do problema apresentado. De acordo com o Índice de Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS, 64% dos entrevistados já sofreram discriminação pelo fato de conviverem com HIV ou AIDS. Logo, os dados apontam uma alta porcentagem de pessoas impactadas pelo preconceito em decorrência da falta de informação, o que também pode desencorajá-las a assumir seus diagnósticos.

Além disso, a recusa do tratamento segue como importante consequência do estigma associado ao vírus HIV. Segundo um estudo realizado pelo Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, a precariedade do apoio sociofamiliar vigora como um dos principais motivos da abandono do tratamento relatados pelos soropositivos. De tal maneira que muitos indivíduos acometidos pela infecção tendem a ignorar a evolução da doença para não terem que assumir o diagnóstico.

Nesse sentido, o Ministério da Saúde deveria criar um programa chamado “Consciência coletiva”, por meio do qual seriam contratados profissionais para integrar equipes de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), cuja função seria especificamente a de realizar visitas em domicílios das regiões de atendimento a fim de divulgar as possibilidades de tratamento para portadores de HIV que são ofertadas pela rede pública e também salientar a eficácia gerada pela adesão aos medicamentos, ou seja, reforçar que pessoas infectadas pelo HIV podem ter uma vida normal a ponto de não mais transmitirem o vírus, caso ele se torne indetectável em exames. Ademais, esses funcionários distribuiriam informativos impressos para que os indivíduos abordados tivessem sempre ao alcance os esclarecimentos fornecidos. Desse modo, o Brasil caminhará para um futuro de cidadãos mais saudáveis e conscientes.