O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 17/01/2022

Na série americana “Sex education”, o desespero acomete uma escola por causa de boatos sobre um surto de clamídia, que, sem conhecimento sobre a forma de transmissão, a escola inteira achou que havia contraido a doença. Desse modo, a série evidenciou um problema que é também é uma realidade na sociedade brasileira, a falta de informação. Pois, o HIV é uma doença comum que carrega consigo o preconceito e a ignorância entre a população. Isso porque o Brasil possui uma educação precária que não abrage as informações relevantes para a vivência de seus alunos em sociedade, o que afeta a sociabilidade e a saúde psicológica dos que possuem o HIV. É necessário, então, que esse cenário mude para que um Brasil mais consciente e saudável seja uma realidade.

Em primeira instância, tem-se a falta de informação como um problema que contribui para a permanência da discriminação de pessoas que possuem o vírus do HIV. Sobre isso, o educador Paulo Freire aborda a ineficiência da educação brasileira em seu livro " Pedagogia do oprimido", no qual ele a nomeia como “educação bancária” por se preocupar apenas com o depósito de conhecimentos sem uso prático, o que contradiz sua teória de uma educação que incentive o senso crítico. Essa lacuna na educação, portanto, gera a ignorância perante as DST’s que corrobora com o preconceito. Logo, o governo precisa agir na educação para que essa seja completa e eficiente.

Ademais, as pessoas que sofrem com os estigmas referente ao HIV têm que lidar com o afastamento das pessoas e possíveis desenvolvimento de problemas psicológicos. Em relação a isso, a revista galileu publicou uma pesquisa em que 70% dos entrevistados que possuíam HIV revelaram que é difícil falar para as pessoas sobre o assunto por instaurar o medo nelas. Além disso, 80% desenvolveram ansiedade, depressão ou síndrome do pânico após o diagnóstico devido ao distanciamento de amigos e familiares ou pelo medo de se relacionar novamente. No entanto, se a informação fosse instaurada do meio social, as pessoas saberiam que apenas estar perto da pessoa com o vírus não transmite a doença. Portanto, a informação é, de fato, a solução para a problemática.

Diante disso, é importante que medidas sejam tomadas para a minimização do problema estigmático no Brasil. Assim, é dever do Ministério da Educação, responsável pela formulação da grade curricular,  acrescentar a educação sexual nas escolas, a qual seria administrada por profissionais da área da saúde por meio de materiais didáticos e palestras sobre as principais doenças sexualmente transmitidas, assim como o esclarecimento de questões relacionadas ao sexo. Com isso, é esperado que o episódio de sex education não se reproduzirá nas escolas brasileiras, de mesmo modo que os preconceitos serão desmistificados pois os alunos estariam bem informados sobre o assunto.