O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 24/01/2022
De modo ficcional, o livro “Utopia”, do escritor inglês Thomas Moore, retrata uma sociedade idealizada, na qual o corpo social padroniza-se pela inexistência de atritos e problemas. Entretanto, a realidade contemporânea brasileira é contrária ao que o autor prega, uma vez que o preconceito com pessoas soropositivas é uma barreira, as quais dificultam a realização dos planos de Moore. Esse cenário antagônico é efeito tanto da negligência governamental, quanto da precária estrutura de hospitais . Dessa forma, torna-se crucial a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
A princípio, é lícito destacar a ausência de medidas governamentais para combater o estigma com indivíduos infectados. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o estado é responsável por assegurar o bem-estar dos cidadãos, todavia, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades em garantir a orientação básica sobre o vírus a população, o preconceito tem aumentado , pois leva as pessoas acharem que os soropositivos são inferiores, não merecedores de dignidade ou perigosos a elas, fazendo com que eles tenham menos oportunidade no âmbito social, como emprego ou segurança plena . Dessa forma, faz-se mister a modificação dessa conduta estatal de forma imediata.
Ademais, destaca-se a precária estrutura das unidades de saúde como impulsionador do preconceito no Brasil. Segundo o programa das Nações Unidas UNAIDS, em 2015 apenas 62% das mulheres grávidas antirretrovirais tem acesso ao tratamento . Diante de tal exposto, em muitas cidades os hospitais não tem estrutura básica, sendo assim, os indivíduos que tem a infecção, não conseguem tratamento eficiente, podendo, dessa forma, fazer o vírus evoluir para a doença AIDS. Esse fator contribui para resistência ao tratamento ou desistência dele, diminuindo a qualidade de vida desses cidadãos . Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo em parceria com o Ministério da Saúde , por intermédio de campanhas publicitárias, promova palestra em escolas ou casas de saúde– com médicos especializados – a fim de orientar a população sobre os riscos reais do vírus, como se prevenir e onde/como é feito o tratamento.. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o efeito danoso do preconceito com soropositivos, e a coletividade alcançará a Utopia de Moore.