O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 19/02/2022
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu crí-
ticas aos comportamentos egoístas e superfíciais que caracterizam a nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes que perpetuam ao longo da his-tória, no que tange à questão do estigma associado ao vírus HIV na sociedade.Além disso, é preciso ressaltar, ainda, que a população carece de informações sobre tal assunto, o que gera um estranhamento em torno do tema.
A princípio, o falta de debate é um complexo dificultador. Os indivíduos que ca-rregam o soropositivo tem de enfrentar os olhares preconceituosos que os cercam. Muitas pessoas ignoram as consequências do ato sexual sem prevenção, que pode gerar não apenas uma gravidez indesejada, como uma DST (Doença Sexualmente Transmissível). Cazuza, cantor muito conhecido nos anos 90, foi infectado com a doença. Ainda em vida e realizando tratamento, sofreu retalhações da mídia e do público. Pouco se é discutido sobre devido a descriminalização do sexo fora do casamento e com homossexuais. O filósofo Foucalt defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas.
Outro ponto relevante, nessa temática, é insuficiência na regulamentação. O art-igo 6º da Constituição Federal de 1988 garante direito pleno a todo cidadão, bem como à saúde, segurança, dentre outros. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente para erradicar a problemática. De tal forma que, o público com soroposi-tivo muitas vezes sofre com violências psicológicas, físicas e moral, até de indivídu-os próximos, causando sentimentos de inferioridade e isolamento. Dessa forma, algumas pessoas se sentem confortáveis em destilar ódio no público que está sensibilizado sem nenhum sentimento de culpa ou medo.
Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura promov-am momentos de rodas de conversas e palestras sobre as DST’s no ambiente escolar. Tais eventos devem ocorrer na extraclasse, contando com a participação de professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, é necessário que seja aberto à comunidade, afim de que mais pessoas se conscientizem e se tornem mais atuantes, tanto na empatia, como na prevenção da doença.