O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 24/02/2022
Earvin “Magic” Johnson é considerado um dos melhores jogadores de basquete de todos os tempos. Com uma carreira impecável, a busca pelo destaque no esporte não foi a maior batalha que ex-basquetebolista enfrentou, a luta contra o preconceito por ser portador do vírus HIV marcou a maior parte da sua vida. Análogo à nossa sociedade atual, o estigma relacionado ao vírus continua a prejudicar milhões de brasileiros portadores da doença. Nesse sentido é de extrema importância a reflexão em torno dos efeitos do descaso com quem porta o vírus e os motivos de tal marginalização.
É bastante comum ouvirmos historias de lendas da música nacional ou internacional que supostamente morreram de AIDS ou por serem portadoras do HIV, algo preocupante quando se tem o conhecimento do que a infecção realmente pode causar aos indivíduos. A difusão de notícias falsas e a falta de acompanhamento instrutivo é o principal agente para a manutenção dessa ideia de “doença mortal”. Menos de 20% das escolas publicas do país têm projeto de educação sexual para crianças e adolescentes, afirma a psicóloga e doutora em educação, Mary Neide Figueiró, o que só acentua a ignorância em relação à DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e agrava a discriminação com aqueles que às portam.
A persistência dessa crença associada ao vírus HIV é a origem para a exclusão social dos portadores, que os fazem por diversas vezes perderem oportunidades e ainda serem vítimas de variados tipos de agressões. De acordo com o programa das Nações Unidas, Unaids, mais de 60% das pessoas soro positivo ja sofreram algum tipo de discriminação, dentre elas, assédio verbal, perda de emprego e até mesmo agressões físicas. A marginalização desse grupo chega à influenciar no tratamento da doença e em muitos casos, leva à desistencia, como destaca o gerente do Programa IST/Aids, Almir Santana.
Portanto, se faz claro o dever da ação do ministério da educação junto com o poder midiático, a imposição de projetos educativos e a propagação de informações a respeito do vírus HIV e da Aids, por meio de propagandas, palestras didáticas e projetos escolares, afim de findar a continuação desse estigma.