O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/03/2022
“O importante da vida não é viver, mas viver bem”. De acordo com Platão, filósofo grego, é a qualidade de vida, e não a simples existência, o que deve ser valorizado. Mais de 2 mil anos depois, “viver bem” ainda se mostra uma difícil tarefa a grande parte dos indivíduos que apresentam AIDS no Brasil, haja vista que há um estigma associado à tal doença no país. Nesse viés, cabe analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam as de ordem social e estatal.
A princípio, é fulcral salientar a culpa de parte da população à degradante situação dos portadores de HIV no Brasil. Nesse sentido, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito de “Banalidade do Mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. Nesse prisma, tal conceito pode ser relacionado com a estigmatização dos que possuem AIDS, na medida em que, pela falta de debates e informações acerca da situação dessas pessoas, cria-se um preconceito contra elas e escassas medidas são tomadas para alterar esse panorama.
Ademais, é importante ressaltar a insuficiente ação do Estado contra essa estigmatização. Conforme o filósofo Maquiavel, o principal objetivo do governante é a manutenção do seu poder e não a promoção do bem comum. Nesse contexto, há uma negligência do governo com insuficientes ações conscientizadoras e de ajuda à realidade dos soropositivos, pelo fato de que políticas públicas nessa ótica não garantem um amplo efetivo de votos aos políticos. Isso porque a população, em grande parte, não está preocupada com a realidade dos infectados com HIV e, por isso, não vota, necessariamente, em governantes que tem como pauta ações em benefício desse grupo.
Portanto, para o fim do estigma associado ao vírus do HIV na sociedade brasileira, o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, deve promover campanhas conscientizadoras acerca da importância da não discriminação desses cidadãos, por meio de investimentos para tal. Assim, espera-se que o vírus da AIDS não seja mais um causador de estigmas e que seus portadores possam finalmente, “viver bem”.