O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 10/04/2022
O quadro expressionista “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos na fisionomia de um personagem coberto por uma atmosfera de intensa aflição. Para além dessa obra, nota-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de diversas pessoas assoladas pelo estigma associado ao vírus HIV é, sistematicamente, similar ao ilustrado pelo artista. Isso ocorre devido a inação do Estado contra esse problema, o que resulta em segregação.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o aumento de concepções antecipadas sobre pessoas com HIV. Isso acontece pela falta de divulgação sobre como esses indivíduos conseguem viver normalmente dentro da sociedade, desde que sejam seguidas as orientações médicas. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólgo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, a sociedade comete atos de preconceitos contra portadores de HIV por não saber como o vírus age nesses indivíduos, que faz com que eles sejam oprimidos em suas esferas sociais.
Consequentemente, com a inoperância do Estado na divulgação de informações sobre o vírus, os casos de preconceito e estigma só aumentam. Isso se comprova através de um caso que ocorreu no Acre, em 2019. Segundo o G1, um advogado foi demitido após seu gerente afirmar que ele poderia infectar seus clientes por ser soropositivo. Dessa forma, vê-se como esse estigma consegue não só oprimir as vítimas, mas também tirar seu direito de trabalho e de viver normalmente. Esse tipo de ocorrência mostra como as autoridades públicas são negligentes, pois, apesar da Constituição Federal de 1984 afirmar que todos são iguais perante a lei, o que acontece é o aumento de casos de segregação e distanciamento de diversas pessoas de seus direitos. Nessa perspectiva, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Portanto, medidas são necessárias para reverter o problema em questão. Dessarte, a fim de diminuir os casos de preconceito contra soropositivos, é preciso que o Ministério da Saúde, principal órgão público de saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, por intermédio de palestras, faça uma campanha de divulgação de como o indivíduo soropositivo vive e como o estigma contra essa parcela do corpo social brasileiro precisa ser combatido. As palestras devem acontecer nas escolas de todo o país. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas no plano artístico.