O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 16/04/2022
O cantor britânico “Freddie Mercury” foi diagnosticado com HIV e, ao revelar ao público, foi alvo de muitos ataques e preconceito. De modo semelhante, no Brasil cerca de 64,1% dos portadores dessa doença já sofreram alguma forma de estigma ou discriminação - segundo dados das Nações Unidas para Aids (UNAIDES). Isso acontece pela falta de educação sexual e marginalização de certo grupos sociais.
Primeiramente, vale ressaltar que o Brasil foi criado em rígidas bases católicas, sendo assim, a sexualidade nunca foi um assunto abordado de maneira didática nas escolas e universidades. Então, a imposição da crença de que relações sexuais antes do casamento são pecados afastou conversas e discussões sobre métodos contraceptivos. Dessa forma, quando a epidemia do HIV chegou ao país no século XX, muitas pessoas não sabiam como se prevenir dessa doença. Uma vez infectados, eram taxados como fornicadores e estavam apenas “recebendo castigo divino pelos seus atos”. Então, ainda hoje, a ausência de discussões humanizadas sobre essa doença segrega ainda mais os portadores do HIV e a falta do conhecimento permite a infeccção de mais pessoas no Brasil.
Ademais, a doença em pauta está muito associada a grupos que sempre foram marginalizados pela sociedade: negros e homossexuais. Isso ocorre porque esses grupos são, na maioria das vezes, os mais privados da educação sexual no Brasil. Então, a doença se proliferou mais rapidamente entre eles no século passado e, ainda hoje, as pessoas fazem a associação preconceituosa do HIV ao contato com negros e homossexuais. Nesse âmbito, o vírus ganhou uma conotação negativa por ser associado com eles, o que afasta muitas pessoas de assumirem a doença e correrem atrás de tratamento. Dessa forma, fica evidente que o racismo e a homofobofia fortalecem os estigmas relacionados ao HIV na sociedade brasileira.
Portanto, fica visível que medidas precisam ser tomadas. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação incluir a educação sexual no currículo básico das escolas brasileiras. Somado a isso, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas sobre saúde sexual nas universidades e periferias, com a presença de médicos, psicólogos e muito divulgado pela mídia. Essas medidas devem ser tomadas para acabar com os estigmas sobre o HIV e ajudar a erradicar essa doença no país.