O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 12/04/2022
A estigmatização associada ao vírus HIV fere como a exclusão social de Irene, per-sonagem da obra “O voo da guará vermelha”, que marcada pela aids e pela prosti-tuição sofre com a marginalidade na sociedade brasileira. Esse contexto de exclu-são, denunciado na obra, é fortalecido por instrumentos de dominação simbólica voltados à discriminação com o vírus da aids e é intensificado pela educação frag-mentada, que atrofia saberes sociais transformadores de paradigmas.
Nessa perspectiva, é importante compreender como o perverso símbolo de saúde normativa estigmatiza os portadores de HIV. Conforme denúncia o sociólogo fran-cês Pierre Bourdieu, o poder simbólico é uma autoridade invisível que dispõe de instrumentos de dominação reafirmadores e reprodutores de paradigmas. Nesse sentido, a suposta hegemonia de indivíduos sem aids se tornou símbolo de saúde
normal, estabelecendo discriminações cruéis que marcam os portadores de HIV co-mo pessoas em sobrevida. Tal simbolismo social é tão marcante que, de maneira análoga à exclusão sofrida pela personagem Irene, segundo o site Agência Brasil,
quase metade dos portadores de HIV entrevistados sofreram com discriminação.
Além dessa influência simbólica, vale ressaltar o papel da escola na fragmentação do conhecimento associado ao vírus da imunodeficiência adquirida e a consequen-te reprodução de paradigmas de saúde. De acordo com Edgar Morin, a educação fraciona os saberes de maneira a reduzir a complexidade e diversidade do conhe-cimento humano, priorizando áreas de estudo e atrofiando saberes cidadãos. Nes-sa acepção, indivíduos reféns dessa fissura de saberes não compreendem que vi-ver normalmente com HIV é possível e é a realidade de muitas pessoas. Essa frag-mentação da educação está tão estabelecida que o medo e o preconceito de des-cobrir ser portador de HIV impede que diversas pessoas tratem a sua condição.
Portanto, a fim de erradicar o estigma que é associado ao vírus da aids, é necessá-rio que o sistema educacional, que possui o poder de formar cidadãos ativos nas
transformações sociais, promova a desconstrução dos símbolos de distinção rela-tivos ao vírus HIV. Tal ação se efetivará por meio da implementação de uma educa-ção integral, que discuta a complexidade e diversidade humana, construindo uma formação cidadã que vai findar a exclusão social dos portadores de HIV.