O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 13/06/2022

Edvard Munch, pintor expressionista, em sua obra, “O Grito”, retrata a angústia, o medo e a desesperança no semblante da personagem rodeada por uma atmosfera de profunda desolação. Para além do quadro, no Brasil, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo vírus do HIV é, em muitos casos, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse panorama, a compactuação da sociedade e o descaso com as medidas preventivas favorecem a perpetuação do estigma no tecido social. Cabe-se, então, alcançar medidas efetivas de combate a essa triste realidade de desespero ilustrada pelo artista.

Primordialmente, sob a ótica social, faz-se necessário refletir acerca da descriminação que os portadores de doenças sexualmente transmissíveis sofrem. Haja vista que, ao culpabilizar tais indivíduos, estes se veem solitários na luta contra a doença, e assim, são afetados psicologicamente. É lícito, pois, referenciar Michel Foucault, filósofo do século XX que aborda o conceito de Normalização, onde define haver na sociedade a repetição do comportamento sem a devida reflexão crítica dessa conduta. Nesse viés, a reprodução de atos segregacionistas contra pessoas com HIV, prejudicam seu tratamento e saúde mental.

Outrossim, o descuido na prevenção das doenças sexuais, fomenta uma correlação com a canção, “O Tempo Não Para”, do cantor brasileiro Cazuza, que dialoga a respeito do futuro e repete o passado. Nesse sentido, a descriminação e o pensamento equivocado e retrógrado, de que o vírus do HIV atinge somente o outro, contribui para o avanço da doença na sociedade.

Torna-se evidente, portanto, que a descriminação favorece a perpetuação do estigma associado aos indivíduos soropositivos para o HIV. Para reverter esse quadro, faz necessária a atuação do Ministério da Saúde, de modo a proporcionar campanhas de prevenção e incentivar o tratamento da doença. Tal medida, deve ser realizada pelos veículos midiáticos, sendo, pois, de abrangência nacional, desse modo, a ensinar que o preconceito contra quem possui HIV, é uma forma de exclusão e pode afetar sua saúde psíquica e assim, dificultar no tratamento.