O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 14/06/2022

O vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), causador da Aids, apesar de identificado pela primeira vez no ano de 1983, pelo Instituto Pasteur- na França- já vitimava, de forma fatal, milhares de pessoas ao redor do mundo desde a década de 1930. A partir disso, os avanços tecnológicos da indústria farmacêutica têm possibilitado meios para evitar a contaminação, bem como estabilizar a infecção, quando o indivíduo entra em contato com o vírus. Entretanto, a estigmatização da doença, fortemente associada à falta de informação e diálogo, permite a perpetuação do preconceito associado aos portadores do vírus, além do aumento de mortes e infecções evitáveis.

Antes de tudo, é necessário pontuar que a falta de diálogo da sociedade acerca de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como é o caso Da Aids, permite a manutenção do estigma e preconceito associado à ela. Diante disso, a série norte americana “Pose” ilustra a realidade de gays e mulheres transexuais na década de 1980 de forma explícita ao abordar o convívio silencioso dessas pessoas com o diagnóstico da doença. Fora da série, atualmente a realidade de convívio discreto se estende à medida que não se discute educação sexual e sexualidade de forma aberta na sociedade, mantendo assim, a estigmatização de doenças, que podem surgir com o ato sexual desprotegido, e todos os preconceitos infundados associados à ela e à comunidades homossexuais.

Além disso, também é importante apontar que, devido a invisibilidade social da doença na sociedade, milhares de pessoas não são diagnosticadas, ou ainda são diagnosticadas, mas não mantém adesão no tratamento. Nesse sentido, o documentário brasileiro “Carta para além dos muros” expõe a bruta necessidade de se falar sobre a Aids e o HIV uma vez que, atualmente, se trata de uma “epidemia social”, que mata por desinformação. Ou seja, o tratamento atual para a doença é possível e eficaz, no entanto a adesão e continuidade no tratamento ainda é baixa e cercada de preconceito.