O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 07/06/2022
Factualmente, John Locke, insigne filósofo inglês, apregoou a ideia de que os indivíduos depositam sua confiança no estado, e que esse, por sua vez, deve garantir direitos básicos a eles. No entanto, na contramão da premissa de Locke, observa-se que nem sempre o poder estatal é suficiente para atender as demandas populacionais. Nesse contexto, é mister a operacionalização dos estigmas associados ao Vírus da imunodeficiência humana (HIV), prática fulcral ao combate a mazelas sociais do território brasileiro.
Mormente, cumpre mencionar que os estigmas arraigados ao imaginário social e a inoperância governamental constituem fatores precípuos na manutenção do panorama dos estigmas associado ao vírus HIV. Nesse sentido, cumpre remontar a teoria do Esclarecimento, de Immanuel Kant, para o qual questiona se o homem saiu ou não de sua menoridade, isto é, a incapacidade de pensar e agir por si mesmo. Infere-se, portanto, que a ignorância do indivíduo somada a naturalização de estruturas humanas desajustadas, precariza a formação humana integral, ascendendo grandes contingentes populacionais à margem do esclarecimento.
Outrossim, é imperioso destacar a teorização de Fato Social, do sociólogo Émile Durkheim, na qual o comportamento do indivíduo é influenciado pelo meio em que está inserido, isto é, a precariedade do ensino nas escolas, sobretudo em áreas periféricas, fomenta a desinformação sobre a transmissão do vírus HIV, consequentemente, desenvolvendo uma tendência à disseminação de notícias falsas. Ademais, é mister salientar que os estigmas associados ao vírus HIV produzem uma ampla gama de consequências, entre as quais cabe evidenciar a interrupção do tratamento em virtude do assédio moral, tendo potencial para o óbito do indivíduo diagnosticado soropositivo.
Destarte, é dever das esferas governamentais - órgão máximo responsável pelas políticas públicas do Estado- junto ao Ministério da Saúde intervir nas instituições de ensino por meio da inserção de palestras, visando a orientação e conscientização dos alunos sobre o vírus HIV. Desse modo, poder-se-á configurar uma sociedade mais saudável e consciente.