O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 21/06/2022

O filme “Cazuza- O tempo Não Para”, retrata a história de sucesso do cantor brasileiro que encantou uma geração. Ao longo da trama, a narrativa revela o preconceito e a luta que Cazuza enfrentou com a Aids, até a sua morte em 1990. A realidade apresentada no filme pode ser perceptível até nos dias de hoje, onde se destacam dois aspectos importantes: o estereótipo ligado à comunidade LGBT e o grande tabu criado em volta da doença.

Em primeira análise, fica claro que as décadas dos anos 80 e 90 que ficaram marcadas pela epidemia de HIV em todo território nacional, principalmente entre a comunidade homossexual, muito atingida pela doença. Este fato corroborou com a homofobia na época e auxiliou na criação do esteriótipo de que qualquer pessoa homossexual seria soropositivo, um exemplo disso foi que somente em 2020 homens homossexuais foram liberados à doar sangue. Esta restrição ligada a eles era uma ação homofóbica, que além de desrespeitar os direitos do cidadão, fere à Constituição Federal de 1988 que prevê direitos igualitários à todos, sem distinção de gênero, raça ou opção sexual.

Além disso, é perceptível que após tantas mortes, foi criado um tabu em volta da doença, sendo raríssimas discussões sobre a mesma. De acordo com a OMS cerca de 49% dos novos casos de HIV na América Latina são no Brasil, isso acontece por conta da ignorância dos cidadãos sobre a doença, visto que, a AIDS é tratada como algo impróprio para diálogo o que aumenta na falta de informação e prevenção, principalmente em áreas mais isoladas e com baixa renda. Dessa forma, os com maiores poderes aquisitivos são mais uma vez favorecidos, enquanto os com menos ficam mais uma vez à mercer da boa vontade do Estado.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter o estigma associado ao vírus HIV. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, levar melhores informações sobre prevenção a lugares mais pobres e promover respeito à comunidade LGBT, por meio de palestras e verbas governamentais. A fim de que, a sociedade brasileira possa se ver livre da homofobia e da AIDS. Somente assim, menos pessoas sofrerão com a doença, assim como o cantor Cazuza, que tinha uma longa carreira pela frente, mas que foi interrompida.