O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 11/06/2022
Segundo a Constituição de 1988, a saúde é um direito de todos a dever do Estado. De maneira análoga a isso, apesar de parecer simples, muitos fatores privam o alcance pleno do direito à saúde, tal como, o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a apatia social frente a temática, bem como a importância da atuação de profissionais da saúde humanizados no manejo de tal patologia.
A priori, evidencia-se que o preconceito por parte da sociedade e até mesmo no contexto familiar submete a população soropotiviva ao enfrentamento de problemas psíquicos, que refletem em diversos cenários de suas vidas, desde a dificuldade para a realização de exames até a manutenção de um relacionamento social e amoroso. Sob essa ótica, de acordo com a pesquisa realizada pela UNAIDS, 64,1% das pessoas entrevistadas já́ sofreram alguma forma de discriminação pelo fato de viverem com HIV ou com AIDS. Dessa forma, é incontextável a falta de empatia perante a essas pessoas.
Além disso, é notório que a dificuldade de se inserir na sociedade de forma igualitária se inicia no próprio atendimento hospitalar, onde por muitas vezes, esses pacientes não são bem tratados e pior, sentem-se inferiores e acabam por abandonar o tratamento, corroborando para a disseminação da doença. Desse modo, já dizia Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” Consoante a isso, é irrefutável a carência de profissionais humanizados.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham erradicar o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Dessa maneira, cabe ao Governo junto ao Ministério da educação, a realização de campanhas de conscientização sobre a forma de transmissão, importância do tratamento adequado, por meio de palestras, aulas gratuitas e propagandas em redes sociais e televisão. Além disso, compete ao mesmo incentivar a medicina humanizada por meio de matérias pertinentes ao tema e treinamento nos serviços de saúde, a fim de que os tabus sejam quebrados. Assim, contribuiremos para a formação de uma sociedade apta a usufruir dos direitos estabelecidos pela constituição.