O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 21/06/2022

Em meados do século xx, o Brasil se encontrara em uma epidemia da Aids, a qual contaminou mais de 900mil pessoas. Nesse período, o cantor Cazuza foi diagnosticado como soropositivo -portador do vírus-, entretanto, ocultou o caso para a mídia por quatro anos devido o estigma associado ao HIV na sociedade brasileira. Esse ocorrido perdura na contemporaneidade, pois o assunto tratado continua a ser um tabu no país. A partir desse contexto, entende-se que a falta de informação e a descriminação leva esse cenário a permanecer hodiernamente.

Nessa perspectiva, vale ressaltar que desinformação leva ao prejulgamento contra portadores do HIV. Sob essa análise, o filósofo Jean-Jacques Rousseau defende que “O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra acorrentado.” A liberdade a qual Rosseau se refere é representada pelas escolhas, e o aprisionamento à ignorância da sociedade, já que apesar de obter meios e acesso à informações, a população encontra-se aprisionada ao supérfluo. Dessa forma, a desinformação fortalece os estigmas direcionados à população infectada.

Ademais, o estereótipo designado à população infectada pelo HIV fomenta a descriminação desse grupo dentro do corpo social. Nesse sentido, o filme “Extraordinário” mostra a rejeição de Auggie Pullman, personagem principal, dentro do ambiente escolar por parte dos colegas de sala, a motivação da repulsão está relacionada a deformidade facial que o personagem possui devido aos

processos cirúrgicos. Assim como no filme, a rejeição por parte da sociedade perdura na vida real pois há um preconceito estabelecido que, tal como no filme, prefere excluir que acolher as diversidades de cada indivíduo. Desse modo, a exclusão reforça, ainda mais, a realidade dos indivíduos que possuem o vírus.

Portanto, visto que a falta de informação e a descriminação são fatores responsáveis pelos estigmas associados ao HIV, faz-se imprescindível que o Estado -principal promotor da harmonia social-, disponibilize verbas para que o Ministério da Saúde e da Educação promovam, em ambiente escolar e em hospitais, campanhas com o intuito de incluir pessoas soropositivas e projetos que visam promover a informação sobre o HIV. Assim, o corpo civil terá mais acesso à informação e, consequentemente, menor descriminação desse grupo.