O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 19/06/2022
Manoel Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática do vírus HIV no Brasil, ainda que ele seja estigmatizado por parte da sociedade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males retativos a essa temática é importante analisar a falta de empatia e o preconceito enraizado.
Em primeira análise, evidencia-se a falta de empatia, que favorece a realidade vigente. Sob essa ótica, o conceito de empatia retrata a capacidade de você sentir o que a outra pessoa sente caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Hodiernamente, o conceito é omitido pela sociedade brasileira visto que, inúmeras mulheres não são aceitas em determinados locais por serem portadoras do vírus, o que acarreta a falta de empatia social. Dessa forma, a desaprovação social causada pelo estigma, fomenta várias cidadãs brasileiras a desistirem do tratamento ocasionando o óbito.
Além dissso, é notório o preconceito enraizado que contribui com o óbice discutido. Desse modo, é preciso que os setores educacionais e tecnológicos, invistam em pesquisas para abranger o conhecimento sobre o vírus, reduzindo o preconceito na sociedade. Consoante a isso, o filósofo Jean Jacques Rousseau, afirma que a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. Sendo assim, é indispensável que o Governo Federal reestruture o repasse de verbas destinados a educação e tecnologia.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter o estigma associado ao vírus HIV na sociedade. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, a criação de propagandas e reportagens, através dos setores midiáticos, por meio de um conjunto de políticas públicas, com o objetivo de expandir o conhecimento sobre o vírus, e estimular o tratamento precoce às mulheres brasileiras, a fim de destacar a importância do tratamento e findar o preconceito contra os soropositivos. Somente assim, a teologia do traste de Manoel Barros não será mais presente na sociedade brasileira.