O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/07/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Eduard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na atual conjuntura brasileira, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo estigma associado ao vírus HIV é, amiudamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Neste viés, torna-se crucial analisar as causas deste revés, dentre as quais se destacam a falta de conhecimento populacional acerca do assunto e a negligência governamental.
Em primeira análise, é necessário atentar para como a falta de conhecimento atrasa diretamente na resolução da problemática. Na série norte-americana “como defender um assassino” um dos personagens descobre que é portador do vírus HIV, e, em razão ao preconceito ainda muito recorrente com a doença, é tratado como aberração. Fora da ficção, percebe-se que muitos daqueles que possuem o vírus da imunodeficiência humana são tratados de forma idêntica a narrada na série devido à falta de informações verdadeiras sobre a doença, fazendo com que ocorra exclusão social com este grupo de pessoas.
Outrossim, este entrave encontra terra fértil na negligência governamental. Segundo o conceito do sociólogo Zygmunt Bauman, o Estado conserva sua forma, mas perdeu sua função, o que revela o descaso dos órgãos administrativos para com o estigma associado ao vírus HIV. Nesse contexto, a omissão estatal mediante investimentos nesta área contribui para uma lacuna frágil no que tange ao sistema de saúde brasileiro.
Desprende-se, portanto, a adoção de medidas para amenizar o quadro atual. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde destine verbas para a propagação de informações verdadeiras por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de erradicar o preconceito com os portadores desta doença. Com isso, pode-se esperar mudanças na maneira como a sociedade age a respeito deste empecilho.