O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 29/06/2022
Na obra “Utopia”, escrita pelo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade ideal na qual o corpo social se padroniza pela ausência de conflitos. De maneira análoga a isso, na realidade contemporânea observa-se o oposto da coletividade defendida pelo autor, uma vez que os estigmas associados ao vírus HIV na sociedade brasileira apresentam barreiras dificultando os planos de More. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos que corroboram com o problema: a falta de empatia e a negligência escolar.
Em primeira análise, evidencia-se que o escasso de empatia na sociedade brasileira contribui para o preconceito relacionado ao vírus. Sob essa ótica, o filósofo Immanuel Kant ressalta que o indivíduo deve agir conforme o dever moralmente correto, considerando a existência e as individualidades do outro. Entretanto, esse princípio não se concretiza, tendo em vista que as pessoas possuidoras dessa doença são marginalizadas pelo povo e seus familiares. Em consequência disso, essa parcela acaba sendo acometidas de problemas psicológicos pela exclusão de relacionamentos parentais e amorosos.
Ademais, outra causa responsável pela manutenção dessa mazela social é a incúria das instituições formais de ensino. Isso porque as escolas – as quais exercem o papel educativo- estão, mais focadas nas notas disciplinares dos alunos do que em promover projetos que poderiam conscientizá-los. Essa situação acarreta a formação deficitária dos estudantes, os quais acabam tratando esse assunto como algo irrelevante, isso exemplifica a teoria do sociólogo Bauman, chamada de “Instituições Zumbis”, o qual afirma que estão presentes na sociedade, mas não cumprem suas funções com eficácia. Dessa forma, faz-se necessária a reformulação dessa postura omissa.
Portanto, o Ministério da Educação deve realizar campanhas educativas sobre esse tema, por meio de debates e de aulões com professores de biologia e com médicos profissionais no assunto, os quais ministrarão essas aulas em instituições de ensino, a fim de conscientizar os cidadãos brasileiros sobre a importância e apoio às pessoas portadoras dessa doença. Somente assim, a coletividade alcançará a Utopia de More.