O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 01/07/2022

Em meados do século XVI, com o início da colonização portuguesa na América, o genocídio dos povos tradicionais foi colocado em prática pelos colonos lusitanos por meio da escravidão destes povos e pela disseminação de doenças venéreas como a sífilis entre estes. Contemporaneamente, a aids foi adicionada à gama de doenças sexualmente transmissíveis existentes, vitimando as pessoas por conta dos seus efeitos nocivos ao corpo quando não tratada e pelo estigma social carregado pelos seus portadores.

Primeiramente, Drauzio Varella retrata a vida difícil dos portadores do vírus HIV em " Estação Carandiru " . No livro, o médico relata o seu trabalho no combate à disseminação da aids na Casa de Detenção de São Paulo, além de mostrar as agruras enfrentadas pelos detentos soropositivos em meio ao abandono do estado na busca por tratamento e à discriminação sofrida por estes. De maneira semelhante, o preconceito contra as pessoas portadoras da aids é nítido na sociedade brasileira, contrangendo-as com humilhações e afastando-as do convívio social e da busca por tratamento contra o vírus.

Nesse contexto, de acordo com uma pesquisa conduzida pela Agência Brasil entre indivíduos soropositivos, 87,3% destes afirmaram já ter sofrido preconceito de pessoas de fora ou de dentro do seu grupo familiar e 25,3% destas pessoas já foram assediadas verbalmente por possuirem aids. No entanto, a ausência de ações do poder público no combate à discriminação enfrentada pelas pessoas que vivem com o vírus HIV contribui para a permanência deste cenário, no qual tais indivíduos, pela ausência de uma rede social de apoio, podem abandonar o tratamento e morrer em decorrência das complicações causadas pelo vírus.

Por fim, visando ao combate do estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, o Ministério da Saúde poderia incentivar a busca pelo tratamento contra o vírus HIV por meio da criação de projetos de acolhimento social, psicológico e familiar das pessoas soropositivas. Ademais, o Ministério da Educação poderia desconstruir o preconceito o qual atinge os indivíduos aidéticos por meio da realização de palestras e de projetos sobre o tema nas escolas e nas universidades, ressaltando, ainda, a importância da busca por tratamento contra o vírus.