O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 17/07/2022
Nos Estados Unidos, na década de 80, a epidemia do vírus da imunossupressão humana foi permeada de temor e preconceitos relacionados aos doentes. Analogamente, o estigma associado ao HIV no corpo social brasileiro ainda configura um entrave a ser superado. Diante desse cenário, torna-se fulcral analisar a lacuna educacional como fomentadora do problema supracitado, bem como a exclusão social resultante disso.
Sob esse viés, a falta de informação é a causa central da visão estigmatizada sobre os soropositivos. Nesse sentido, conforme o filósofo pernambucano Paulo Freire, a educação é um meio de transformação social. Desse modo, quando não há acesso a uma elucidação adequada relativa à AIDS, a mentalidade do indivíduo é cerceada e a coletividade fica estagnada. Essa, por conseguinte, limita-se aos estereótipos compartilhados socialmente e, à vista disso, reproduz intolerância contra os infectados, além de disseminar um conceito distorcido da enfermidade. Portanto, é necessária a reversão desse cícrulo vicioso.
Ademais, as pessoas as quais convivem com o HIV são excluídas da vivência interpessoal. Nessa perspectiva, a obra literária “Tipo uma história de amor”, do escritor Abdi Nazeimian, retrata a realidade opressora enfrentada por seropositivos no século XX, que eram escanteados em relações sociais. Fora da ficção, contudo, percebe-se a perpetuação desse paradigma, tendo em vista que as mudanças no âmbito social foram irrisórias e essa população segue marginalizada. Consequentemente, o isolamento contribui com a emergência de transtornos psíquicos entre os afetados, cuja elevada taxa de suicídio forma um revés. Destarte, é imperiosa a modificação desse panorama.
Isso posto, torna-se imprescindível a adoção de medidas, a fim de mitigar a problemática discutida. Sob essa ótica, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de palestras, as quais deverão ser transmitidas em rede nacional, de forma a atingir um público maior, desmistificar o vírus e estereótipos para leigos, no intuito de diminuir o estigma acerca da doença. Logo, as discriminações de tal natureza serão reduzidas e a nação tupiniquim em nada se comparará com a norte-americana de 1980.