O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 19/10/2022
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne ao estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, que segue sem uma intervenção que o resolva. Com isso, observa-se um grave problema, que tem como causas a omissão estatal e o silenciamento.
A princípio, a negligência governamental mostra-se um complexo dificultador. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar aos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada aos portadores de aids, visto que o governo não fornece uma qualidade de vida digna aos infectados de baixa renda - os quais, muitas vezes, não possuem recursos para se alimentarem adequadamente. Sob esse viés, essa ineficiência do corpo estatal amplia a disparidade socioeconômica e a marginalização desses indivíduos. Dessa forma, para que tal bem-estar seja usufruído, o Estado deve agir efetivamente.
Ademais, é ingênuo pensar que a desinformação não influi decisivamente para a manutenção do problema. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Entretanto, há um silenciamento instaurado em relação ao preconceito vivenciado pelas pessoas que possuem o vírus HIV, haja vista que pouco se repercute a respeito nos meios de comunicação em massa. Por conseguinte, essa escassez de informação funciona como um catalisador para a permanência de um círculo vicioso de segregação social. Assim, urge tornar a situação visível para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
É imprescindível, portanto, que medidas estratégicas sejam tomadas. Para isso, o governo deve criar um programa que consistiria em entrevistar especialistas no assunto, a fim de mitigar o estigma associado aos portadores da patologia. Tal ação pode, ainda, conter com uma destinação de capital para fornecer qualidade de vida aos necessitados. Desse modo, é possível sair da inércia em que se encontra.