O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 22/10/2022
No filme “Bohemian Rhapsody”, é retratada a vida da estrela do rock Freddie Mercury e sua jornada com o diagnóstico e enfrentamento do HIV. Fora das telas, milhares de brasileiros convivem com o diagnóstico da doença e a busca por tratamento, assim como o artista, enfrentando os estigmas sociais ainda existentes. Dessa forma, emerge na sociedade verde-amarela uma questão importante sustentada pela negligência estatal e pelo silenciamento social.
Com efeito, é válido ressaltar o entreposto criado pela má administração estatal na perpetuação dos preconceitos sociais acerca da doença autoimune. Segundo o geógrafo Milton Santos, em seu livro “Democracias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. Dessa maneira, a parte da sociedade atingida pelo vírus autoimune do HIV, tem sua democracia inefetiva, visto que encontra escasso apoio estatal e campanhas ineficientes, restritas a datas simbólicas, os quais prolongam a duração dos preconceitos e tabus acerca deste acometimento, impedindo até que novos cidadãos procurem tratamento.
Além disso, é necessário salientar o impacto gerado pelo silenciamento social na redução dos estigmas relacionados ao vírus da imunodeficiência humana em solo nacional. Segundo o filósofo Foucault, na sociedade pós-moderna, temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Sendo assim, com as lacunas discursivas e informacionais, ainda surpreendentemente existentes no Brasil, as pessoas afetadas por esta doença encontram grande preconceito e desinformação no caminho por uma melhoria na qualidade de vida. Essas questões são associadas aos tabus históricos repercutidos e não combatidos que afetam diretamente a vida dos pacientes.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar esta problemática. Para tanto, o Ministério da Saúde, órgão responsável por administrar o sistema público de saúde, deve criar campanhas anuais de humanização dos indivíduos com HIV, mostrando as dificuldades enfrentadas por essas pessoas no cotidiano brasileiro, além do esclarecimento acerca das principais dúvidas da população por meio de de transmissões ao vivo com profissionais de saúde nas redes sociais. Essas medidas objetivam o fim dos estigmas relacionados ao HIV no Brasil.