O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 24/10/2022
O romance filosófico “Utopia”- criado pelo escritor inglês Thomas More- retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que o estigma associado ao vírus HIV ainda persiste na sociedade brasileira, de modo a dificultar os planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da inoperância estatal quanto da falta de aproximação pessoal.
A partir disso, cabe pautar a falha do governo como principal causa do revés. Sob a perspectiva do filóso contratualista Jonh Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relaçãos harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, os tratamentos precários e a omissão de informações sobre esse fato social grave contribuem para a permanência desse estigma. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa conjuntura caótica.
Além disso, a ausência de aproximação pessoal apresenta-se como outro fator para o óbice. De acordo o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações sociais se liquefizeram no mundo globalizado, o que resultou na redução dos laços afetivos das comunidades. Tal conceito abordado é materializado no Brasil, haja vista que as interações sociais diminuíram dentro do âmbito familiar na modernidade, o que, consequentemente impossibilitou as pessoas portadoras do vírus HIV a falarem sobre a situação
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas públicas para alterar esse panorama. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimentos, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei das Diretrizes Orçamentárias, ampliar os programas de apoio a esse público, por meio de palestras ministradas por profissionais especializados na área, com o objetivo de promover uma maior aproximação pessoal entre os indivíduos e o corpo social. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de More na sociedade brasileira.