O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 24/10/2022

Conforme a alegoria da caverna de Platão, o conhecimento liberta os homens das limitações da ignorância e, consequentemente, do preconceito. Nessa perspectiva, observa-se o estigma associado ao HIV em vista da pouca informação sobre o vírus, o que resulta no medo social e na segregação desnecessária dos portadores. Dessa forma, é evidente que são causas para o problema a carência de conhecimento científico e a falta de representatividade portadores de HIV nos meios da mídia.

Em primeira análise, evidencia-se o medo do HIV em decorrência da falta de informação quanto aos mecanismos de contágio e aos tratamentos que, hoje, proporcionam qualidade de vida. Nesse sentido, é relevante salientar o dever do Estado que, segundo o pensador John Locke, tem o dever de administrar as suas diversas demandas sociais, inclusive, no que tange ao atual preconceito enfrentado por quem tem esse diagnóstico. Assim, é imprescindível que além de campanhas de prevenção, existam ações contra o preconceito e a desinformação para que as pessoas vivendo com o HIV tenham acesso pleno a sua dignidade.

Além disso, corrobora o problema, a falta de representatividade de pessoas vivendo com HIV nos meios de comunicação e das artes, sem que haja um estereótipo de doente como foi no passado. Nesse contexto, cantores brasileiros como Renato Russo e Cazuza foram, insensivelmente, alvos do lucro da mídia que divulgou suas imagens, as quais representaram uma referência nacional negativa do que era o HIV, em uma época com poucos recursos para combater a evolução da doença. Logo, hoje, é urgente a mudança desse imaginário social através de referências mais condizentes com a nova realidade, que tem o apoio da ciência.

Portanto, em vista do tema acima discutido, algumas medidas são cabíveis. Nesse viés, o Ministério da Saúde deve enfatizar com maior precisão informações sobre o HIV por meio das mídias, a fim de combater a desinformação e a discriminação, e disponibilizar um disque denúncia para quem é vítima desse abuso. Outrossim, os meios de comunicação e das artes devem buscar evidenciar que é exequível para o portador de HIV ter uma vida plena e “normal”. Desse modo, será possível vencer o estigma associado ao vírus e garantir a pluralidade.