O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 26/10/2022

Em 1889, o filósofo Raimundo Teixeira Mendes adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento, como o estigma social atrelado às pessoas com HIV. Nessa perspectiva, tal panorama decorre de uma vasta negligência governamental agregada à banalização pública que oprime e age com intolerância contra as vítimas. Logo, é de primordial sanar tal óbice.

Diante desse cenário, é fulcral ressaltar o descaso do governo em promover medidas para reduzir a atualidade dessa discriminação. Sob esse viés, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no século XXI o número de indivíduos que são soropotivos cresceu em mais de 50% se comparado aos séculos passados, contudo os índices de mortalidade ocasionados pelo mesmo reduziram-se em 70%, devido ao avanço técnico-científico. Esse contexto se explica por conta do aumento da exposição corporal nas mídias sem abordar as consequências do HIV, tornando-se um ponto que influencia diretamente no aumento das relações sexuais entre os seres, gerando a ampliação dos portadores da AIDS.

Ademais, salienta-se a banalização popular acerca do tema, que segundo a socióloga Hannah Arendt, a sociedade tende a tratar como tabu assuntos que são vistos como polêmicos. Seguindo essa análise, corrobora-se que na coletividade hodierna as pessoas que obtém o diagnóstico possuem o medo da rejeição em relacionamentos e sofrem constantes repressões, piadas de cunho preconceituoso e xingamentos. À vista disso, muitos optam por esconder essa informação com receio de serem escorraçados e não conseguirem uma parceira, logo, acabam se comunicando apenas após a penetração física e transmitem o vírus ao cônjuge.

Portanto, é de indubitável importância que o governo federal, atuando como garantidor dos direitos individuais, promova medidas para mitigar esse viés. Para tanto, é necessária a implementação de leis que assegurem a liberação de verbas para a conscientização do povo, por meio de campanhas e reportagens nas mídias, palestras nas escolas e expondo a relevância dos cuidados médicos no tratamento e diagnóstico do paciente. Logo, se almejará o maior bem-estar entre os seres, a diminuição dos índices negativos e o cumprimento da adaptação feita em 1889.