O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 07/11/2022

Ubuntu, filosofia máxima africana, apresenta um ideal de coletividade que é disseminado para a população. Entretanto, a sociedade brasileira não acompanha esse pensamento africano, visto que existe um estigma associado às pessoas portadoras do vírus HIV. Sendo assim, faz-se necessário discutir acerca dos entraves que estabelecem essa situação no Brasil.

Diante desse cenário, em primeira análise, deve-se apontar que a lacuna educacional é um fator de grande impacto na disseminação do preconceito contra a Aids no território nacional. Nesse contexto, segundo o filósofo Paulo Freire, as escolas brasileiras promovem uma educação bancária, isto é, depositam o conteúdo na sala de aula sem um aprofundamento necessário para tornar o conhecimento mais amplo e diverso. Sob esse viés, o pensamento freireano é observado no estigma associado ao vírus HIV, haja vista que o sistema educacional falha em trazer para o meio escolar discussões sobre as vivências de pessoas com Aids. Dessa forma, os brasileiros soropositivos não conseguem acessar os espaços públicos com segurança devido ao medo de serem hostilizados pela sociedade.

Além disso, é válido ressaltar que a mentalidade social interfere decisivamente nas dificuldades enfrentadas pelas pessoas soropositivas no Brasil. Desse modo, Carl Jung, renomado psiquiatra suíço, constata, em seus ensaios psquiátricos, que o homem nasce original mas morre como uma cópia. Sob essa ótica, entende-se que a perspectiva de Jung é correta no que diz respeito à Aids, visto que o pensamento da sociedade brasileira impõe que os indivíduos sejam cópias e sigam um padrão previamente aceito que condena as diferenças. Dessa maneira, torna impossível a aceitação da população com o vírus HIV na convivência social.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro. Dessa forma, é imprescindível que o Ministério da Educação junto o da Cidadania promovam campanhas de combate ao estigma vinculado à Aids. Essa ação deve ser feita por meio de palestras nas escolas com o uso de materiais didáticos, como os panfletos e as cartilhas, a fim de conscientizar a comunidade acerca do dever de mitigar a exclusão de pessoas portadoras do vírus HIV e, assim, alcançar o ideal de Ubuntu.