O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 11/11/2022

Na década de 80, Cazuza, ícone do rock nacional assumia publicamente sua luta contra o HIV, inimigo enfrentado por um número cada vez maior de brasileiros. Além de expor o sofrimento físico e clínico dos pacientes soropositivos, o cantor chamou atenção para o estigma associado à doença, o que denuncia uma postura discriminatória e intolerante no Brasil. Sendo assim, mesmo com o passar das décadas, a falta de educação sexual a e a escassez de debates sobre a temática corroboram com as atitudes preconceituosas da sociedade brasileira.

Em primeira análise, segundo relatório do Ministério da Saúde, em 2019, 135 mil pessoas tem HIV e não sabem. Isso se deve, entre outros fatores, ao descuido quanto à saúde sexual e reprodutiva, visto que o uso de preservativo é, muitas vezes, associado apenas à prevenção de gravidez. Ademais, os jovens, em especial, não são bem orientados e esclarecidos quanto os riscos de contrair uma IST e as formas de previni-lás. Essa postura de negligência quanto à essa temática deve-se a um fator moral associado ao estigma de se falar sobre sexualidade e saúde nos espaços de interação cotidianos. Dessa forma, o assunto virá um tabu e o número de infectados, dia após dia, aumenta.

Além disso, de acordo com o sociológo francês Pierre Bordieu, a violência simbólica configura-se como um processo que naturaliza o habitus da cultura dominante, o que, por conseguinte, perpetua segregações no convívio social. Esse tipo de violência apesar de geralmente não vir acompanhada por danos físicos, gera grave impactos psicológicos e sociais, como no caso dos pacientes soropositivos, os quais são levados a abandonar o tratamento dada a falta de apoio e empatia social. Outrossim, ao restringir dados e debates sobre o HIV apenas ao “Dezembro vermelho”, a saúde coletiva não abrange de forma integral e ampla os pacientes infectados nem trata a intolerância associada a esses de forma eficaz.

Portanto, tendo em vista que a AID’s é um problema de saúde pública e que crenças estigmatizadas são danosas aos doentes, faz-se necessária atuação eficaz e contínua do Ministério da Saúde por meio de parcerias com as mídias-televisiva e virtual-para ampliar o debate acerca do tema bem como promover ações de orientação e desmitificação do HIV. Faz-se importante também que as escolas, através da autorização do Ministério da Educação, adicione no seu projeto pedagógico espaço para pesquisa, reflexão e debates sobre o HIV na sociedade brasileira como forma de desconstruir o estigma enfrentado à décadas pelo país.