O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 09/08/2022

Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, retrata-se a chamada “cegueira branca”, que atinge todos os habitantes da cidade, impedindo-os de ver a realidade. Ao sair do âmbito literário, o contexto social brasileiro se encontra de forma semelhante, o que pode ser observado nos impactos da exposição às telas durante a infância. Nesse sentido, a negligência social e os problemas na saúde da criança são fatores de causa e consequência desse pernicioso cenário.

De início, é válido ressaltar o tergiversar da sociedade como principal empecilho frente à problemática exposta. Segundo a escritora Hannah Arendt, a população tende a banalizar o mal, de modo a torná-lo comum; logo, tal conceito é observado no Brasil atual, uma vez que as consequências do elevado uso de celular e televisão são postas em segundo plano pelas famílias que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, são responsáveis por esses. Sendo assim, faz-se mister a reformulação das atitudes parentais, dado que são importantes para o desenvolvimento da nação.

Ademais, vale salientar os distúrbios no bem-estar das crianças como resultado inicial do problema analisado. Consoante a OMS (Organização Mundial da Saúde), o estado de bem-estar físico, mental e social caracterizam a vida saudável. À vista disso, nota-se sua ausência entre o público infantil no Brasil hodierno, que, conforme o jornal Globo, apresenta crescimento nas taxas de transtorno e problemas de visão para os que passam mais tempo em frente às telas. Por isso, é crucial a adoção de medidas que visem modificar essa realidade, pois põe em risco a sanidade dos que praticam.

Portanto, com intuito de alterar o cenário exposto, é dever do núcleo familiar –que, segundo Durkheim, é a base da formação do indivíduo– monitorar o tempo de uso de TV´s e celulares, por meio do controle no de atividades praticadas no dia a dia da criança, implementando práticas das quais estimulem o exercício físico e mentais, a fim de preservar a vivência salutar infantil e atenuar o vício das tecnologias. Somente assim, poderá pôr fim à “cegueira branca” da realidade verde-amarela.