O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 14/08/2022
No livro “Cidadãos de Papel”, Dimenstein aplica o ideal de mesmo nome para explicar como a cidadania está garantida em documentos, embora não aconteça na prática. Sob essa ótica, conclui-se que, fora das páginas da obra, tal pensamento pode ser exemplificado a partir da constante superexposição infantil às telas. O impacto da problemática acerca do tema está pautada em inúmeras mazelas, como a ameaça aos direitos básicos da criança e a dependência causada pelos aparelhos eletrônicos.
A priori, vale ressaltar a maneira com que a exposição precoce à tecnologia vai de encontro ao que diz a Constituição Federal de 1988. De acordo com a Carta Magna, todos os brasileiros têm direito à saúde. No entanto, submeter vulneráveis, por meio do acesso desmedido aos ecrãs, fere, ainda que inconscientemente, essa prerrogativa. Segundo dados da Escola Paulista de Medicina, crianças passam em média seis horas do dia na frente de monitores, o que reduz suas capacidades motoras. Ademais, a substituição de experiências reais por virtuais prejudica a socialização desses indivíduos, atrapalhando, desse modo, seu desenvolvimento.
Além disso, estudiosos da área comprovaram o alto índice de dependência tecnológica, bem como seu resultado sobre a população. Estima-se que o uso desenfreado de dispositivos digitais acarreta vários distúrbios psicológicos, incluindo a nomofobia. Outrossim, conforme o conceito de modernidade liquida de Bauman, a sociedade atual é reconhecida pela superficialidade que deposita em suas relações sociais. Compreende-se, assim, que a falta de profundidade moderna está diretamente ligada ao vício e, quando isso se inicia na infância, as consequências são agravadas.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Com intuito de atenuar os efeitos adversos que a superexposição às telas pode causar na vida adulta dessas pessoas, é dever da família, através de incentivo às atividades lúdicas, proporcionar meios alternativos de interagir com as crianças. Dessa forma, o tempo diante das telas diminuirá e, então, a humanidade evitará a criação de um exército de cidadãos de papel.