O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 13/08/2022
O autor espanhol M. Castells desenvolve o conceito de “sociedade em rede” para descrever as demandas e consequências de um mundo “conectado”, como ocorre com as sociedades contemporâneas. Em verdade, a exposição dos indivíduos, sobretudo as crianças, a essas tecnologias é uma realidade cotidiana em um contexto globalizado. No entanto, o consumo de conteúdo nas telas pelo público infantil, que ainda não pode se defender desse tipo de influência, é prejudicial não apenas à saúde mental, como ao desenvolvimento social desses menores.
Em uma perspectiva inicial, é importante entender a relação dessa exposição com comprometimento do bem-estar psicológico das crianças. Sob essa ótica, a pesquisadora americana Reneé Engeln, em seu livro “Beauty Sickness”, descreve os efeitos negativos dos padrões de beleza, endossados pelas redes sociais e propagandas, na saúde mental de mulheres e meninas, que internalizam essas noções em longo prazo. Infelizmente, o público infantil é ainda mais vulnerável a qualquer tipo de conteúdo precisamente pela falta de maturidade para realizar o tipo de julgamento que o faria rejeitar esse tipo de padrão prejudicial, que tem impactos diretos no desenvolvimento psicoemocional desses indivíduos.
Ademais, essa constante conectividade digital também afeta o de desempenho das crianças em um espectro social. Nesse raciocínio, o livro “Fahrenheit 451”, do escritor americano Ray B., que desenvolve uma distopia em que todos os indivíduos têm posse de “telões”, volta a atenção para a alienação tecnológica da qual, especialmente na contemporaneidade, a humanidade é vítima. Efetivamente, a interação humana secundária na obra, como na realidade, mostra como as telas prejudicam a maneira como as pessoas, essencialmente as crianças, que estão em fase de aprendizado e crescimento, relacionam-se em sociedade.
Desse modo, medidas são necessárias para combater esses impactos. Portanto, é de responsabilidade das secretarias da saúde, por meio do desenvolvimento de um plano de eventos quinzenal em escalas municipais - cujo público-alvo sejam crianças e guardiões - que desenvolva palestras as quais auxiliem os pais a administrar o tempo de consumo de tela dos menores, zelar pelo bem-estar e pleno desenvolvimento das crianças brasileiras na Era da Tecnologia.