O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 14/08/2022
Desde os primórdios da civilização, brincadeiras que promovem a criatividade e a socialização, como pega-pega e esconde-esconde, eram muito comuns entre as cri-anças. Com a aparente falta de tempo no cotidiano, os pais acabam cedendo, de forma cada vez mais precoce e exagerada, à exposição a telas como forma de en-treter sua prole. Essa desvalorização da qualidade do entretenimento infantil impli-ca em crianças cada vez mais solitárias e sedentárias.
Em primeira instância, fica claro que as atividades pueris devem ser valorizadas. Érika Felix, doutoranda do Departamento de Psiquiatria da EPM/Unifesp, afirma que a infância é um período muito importante para o desenvolvimento motor e cognitivo. Consoante a fala de Érika, é perceptível que a substituição de atividades dinâmicas, que estimulam a capacidade dos jovens, por conteúdos prontos e pou-co participativos, como o desenho “Galinha Pintadinha”, é danosa ao público infan-til. Portanto, mesmo com a pressa estabelecida no mundo contemporâneo, é de extrema importância que os responsáveis proporcionem um ambiente saudável e promissor para o pleno desenvolvimento de seus filhos.
Ademais, é relevante abordar o impacto de celulares/televisões na saúde das cri-anças. A luz azul, emitida pelas telas, diminui a qualidade do sono, o que pode afe-tar o desenvolvimento do organismo; e a inércia promovida por artifícios tecnológi-cos, já que eles envolvem profundamente os jovens no universo digital, contribuem para a manutenção de uma sociedade sedentária e carente de interações sociais. Citando caso análogo, na série norte-americana “Big Mouth”, Rick, um adolescente, é viciado em seu smartphone e abdica da sua vida social e da qualidade do seu so-no para continuar consumindo esse tipo de entretenimento.
Diante do exposto, fica claro que a exposição a telas é prejudicial ao desenvolvi-mento das crianças. Nessa lógica, urge que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, estimule o exercício de brincadeiras que não envolvam a tecnologia digital, como jogos de tabuleiro e o futebol, por meio da implementação de mais horários dedicados ao lazer na grade curricular, a fim de promover o pleno desen-volvimento infantil. Além disso, cabe à família proporcionar formas saudáveis de di-versão. Feito isso, os impactos dessa exposição serão amenizados.