O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 20/08/2022

Em face a um cenário tortuoso, é comum recorrer à ficção como estratégia de fuga da realidade. Não por menos, o tomo “Utopia”, escrito em 1516 por Thomas More, destaca-se como um refúgio para o lamentável panorama do Brasil atual. Na obra, More versa sobre uma sociedade em que os conflitos e desequilíbrios sociais são inexistentes. Entretanto, nota-se que a distância entre a contemporaneidade brasileira e a “Utopia” não é apenas temporal, uma vez que a exposição excessiva a telas é nocivo para o desenvolvimento infantil e fomenta uma realidade temerária. Ainda, cabe ressaltar que esse infortúnio é calcado na morosidade do Estado e tem como consequência a alienação social.

De início, há de se constatar a negligência estatal como mantedora desse revés. Segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, configura-se no Brasil uma Cidadania de Papel, isto é, ainda que o país detenha um sólido conjunto de leis, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Nessa perspectiva, nota-se que desde 1993 - ano em que foi realizado o ensaio -, mantém-se uma inércia governamental, de modo que o baixo investimento em projetos de lazer e inclusão social indica que não existe uma plena mobilização do poder público. Logo, depreende-se que o descaso estatal contribui para a conjuntura vigente.

Por conseguinte, engendra-se a alienação social infantil. Isso porque, de acordo com o filósofo John Locke, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências. Tendo em vista que a exposição a telas se torna excessiva, as frequentes propagandas e acesso a jogos inadequados moldam negativamente o caráter infantil. Dessa forma, tal exposição desmoderada contribui para um precário desenvolvimento cognitivo.

Destarte, faz-se mister a intervenção estatal para solucionar esse imbróglio. Para tanto, cabe ao Poder Executivo, órgão supremo administrador da nação, o dever de criar oficinas públicas, objetivando coletar dados e elencar as lacunas na atuação do Estado. Feito isso, ainda que não haja resolução imediata para a alienação social infantil, por meio desses dados é possível mitigar a inobservância estatal, de modo que a população usufruirá de tais avanços e a “Utopia” de More deixará de ser ater apenas ao plano artístico.