O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 03/10/2022

“Ensaio sob a cegueira” é uma obra do escritor José Saramago e retrata a volatilidade das questões éticas de uma sociedade exposta ao caos. Apesar de ser

uma distopia, ou seja, uma narrativa fictícia em que se vive uma “cegueira branca"a qual, no enredo, é a causa de tanta bárbarie, hoje, a invizibilização do embate acerca do impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil tem sido um dos gatilhos para o enfraquecimento da sociedade brasileira. Nesse sentido, é imprescindível entender o que motiva, bem como o seu maior impacto social.

Primeiramente, é necessário compreender a raiz dessa problemática relacionada a responsabilidade sob o controle dos dispositivos tecnológicos ligados ao progresso infantil. Na verdade, não há dúvidas de que esse processo é consequência de uma sociedade do cansaço, como afirma o filósofo Byung Chul Han, o qual teoriza o processo, atual, de busca incessante pelo desempenho máximo em todas as áreas da vida sendo elas: profissional, e familiar, por exemplo. Sob essa ótica percebe-se que, devido a essa busca incansável, muitas vezes, o enfoque para o monitoramento das telas é menosprezado, isso porque, lamentavelmente, os responsáveis não conseguem suprir todas essas áreas promovendo"refúgio” o universo das telas. Assim, de maneira análoga ao cenário fictício de Saramago há uma “cegueira branca” a respeito do uso e dos avanços da criança.

Além disso, tal acesso sem direcionamento ocasiona num entrave para o meio intelectual e cultural. Isso acontece porque a exposição as telas promove empecilhos para o desenvolvimento da criança tornando o engajamento para áreas, como a arte, pouco atrativa. Nessa lógica, compreende-se o que é pontuado pela filósofa Marilena Chauí a qual afirma que a cultura é vista como entretenimento, da mesma forma que é perpassado para as crianças.

Portanto, cabe aos responsáveis da criança,a família, buscar orientação a respeito dessa problemática. Por meio de conteúdos disponibilizados pela impressa socialmente engajada, como paletras com profissionais da área de neurociência. A fim de retificar precocemente tal questão acentuada por essa sociedade do cansaço e assim permitir avanços, não distópicos, para essa moderna geração.