O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 24/08/2022

“O Brasil é o país do futuro”, enunciou Stefan Swig em uma de suas primárias vindas à nação. Judeu e austríaco, encontrou uma segunda morada no território canarinho, após fugir do Estado nazista em 1938. No entanto, identifica-se que o referido presságio não saiu da teoria, visto que o impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil é preocupante no Brasil, segundo pesquisas da Escola Paulista de Medicina, 28% das crianças passavam longos períodos utilizando mídias de tela. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto hostil: a omissão do sistema de ensino e a falta de conscientização da população.

A princípio, é imperioso notar que a omissão do sistema de ensino potencializa a exposição a telas na infância. Isso ocorre porque observa-se a deterioração do papel formador do jovem na escola, visto que a ingerência governamental prevê uma educação que limita a instrução social, de modo que a sociedade não esteja preparada para lidar com a nova tecnologia de forma responsável e, muito menos, propor caminhos para a solução desse problema. Essa situação encontra forças pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire, o qual caracteriza o ambiente escolar como uma ferramenta de opressão que não habilita o sujeito para a convivência em sociedade, como nas situações apresentadas no desenvolvimento infantil.

Diante dessa realidade, verifica-se que a sociedade não tem conhecimento de quão grave é a situação da exposição excessiva as mídias de tela. Com o propósito de expor esse problema, os pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA) analisaram dados de 11.025 crianças, observaram que o uso exagerado pode acarretar diversos problemas como habilidades motoras pobres, perca de horas de sono e até mesmo compulsão alimentar. Nessa perspectiva, para a mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma conscientização da população.

Portanto, são necessárias mudanças capazes de mitigar o excesso de uso das mídias de tela. Por isso, o Ministério Público deve, por meio da fiscalização da aplicação dos poderes estatais, pressionar o Estado no que se refere ao aporte de infraestrutura ao setor que oferta a instrução social, a fim de conscientização do uso adequado das mídias de tela, propondo caminhos para a melhor formação dos jovens brasileiros. Assim, a frase do escritor Stefen Swig será, de fato, uma realidade.