O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 11/11/2022
É notório que a quarta revolução industrial alterou a dinâmica social, em virtude do excessivo uso de aparelhos tecnológicos, com destaque às televisões e smartphones. Apesar de se configurar como um progresso tecnológico, o uso das telas midiáticas de maneira indiscriminada prejudica o desenvolvimento, principalmente, das crianças, uma vez que estão em processo de engrandecimento motor e cognitivo. Nesse contexto, nota-se que a configuração de um complexo problema relacionado a uma mudança comportamental rápida e a naturalização do uso desmedido da tecnologia por crianças.
Primeiramente, é importante pontuar que a inserção da tecnologia no dia-a-dia foi um processo relativamente rápido, por esse motivo representa um problema no que tange às questões de controle das telas pelos responsáveis. Segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina, 28% das crianças avaliadas passavam muito tempo na frente das telas, entre essas crianças constatou-se prejuízos no cumprimento das tarefas motoras, como caminhar em linha reta. Sabe-se que os impactos no desenvolvimento das crianças ocasionam sérias lacunas de habilidades em diversas áreas. Por isso, faz-se necessário que a família atue no controle do tempo de telas para crianças.
Outro ponto importante a ser destacado, é a naturalização do fato de as crianças passarem longos períodos em frente as telas. De acordo com Durkheim, o fato social é maneira coletiva de pensar que orienta as ações. Tal perspectiva pode ser observada na atual sociedade, visto que as crianças estão inseridas em uma época marcada pelos usos das tecnologias. Assim, é compreensível que muitas vezes os efeitos disso sejam relativizados para as crianças, pois a presença das telas é algo muito expressivo à toda população. Desse modo, é importante que a população seja lembrada de que, apesar de comum, as telas não são objetos sadios para as crianças.
Fica evidente, portanto, que a utilização das telas deve ser fiscalizada pela família. Por isso, é necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia crie a campanha “infância com menos telas” com o auxílio de empresas midiáticas, para que alertem os adultos dos riscos inerentes ao desenvolvimento dos menores. Isso poderá ser realizado por meio de verbas governamentais com o objetivo de expor as recentes pesquisas que comprovam os malefícios do intenso contato com as tecnologias para as crianças, a fim de garantir o completo desenvolvimento das habilidades motoras e cognitivas.