O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 03/11/2022
Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. No entanto, não é possível verificar uma reação interventiva no uso excessivo de telas na infância no Brasil, que adveio da pujança das tecnologias. Nesse âmbito, é necessário avaliar os impactos que esse uso indevido traz para as crianças, seja limitando as vivências reais, seja prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Assim, a partir dessa análise, é possível que esse comportamento pernicioso seja combatido.
Primeiramente, é preciso apontar a distorção da realidade que jogos e vídeos trazem da realidade, o que pode influenciar na formação cognitiva e de caráter pela falta de vivência real, podendo acarretar transtornos como ansiedade, depressão e alimentares. Nesse sentido, a mídia age como impulsionadora desse comportamento, principalmente por ser a população vulnerável a coerções sociais. Isso ocorre por publicidade massiva de jogos e vídeos, sem menções aos riscos do uso excessivo. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieau, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Assim, a mídia ao não cumprir com o seu papel democrático, divulgando produtos que instigam condutas destrutivas, contribui para a opressão e ausência de bem-estar social.
Paralelamente, é notório que a infância é uma fase crítica para o desenvolvimento motor e mental, devendo ser melhor protegida pelo Estado. Os danos do excesso de telas podem ser sentidos no aumento de transtornos posturais, do sono e sedentarismo. Evidencia-se que a ausência de políticas públicas efetivas para inibir a problemática, comprovada na falta de campanhas para aconselhar pais e na legislação branda vigente referente a publicidade infantil, contribui para o aumento desse uso. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador desse impasse.
Portanto, é vital que a mídia informe sobre os efeitos do uso excessivo de telas, por meio de comerciais e debates com especialistas. Ainda, o Estado deve promover, junto as escolas do básico, atividades recreativas para as crianças, além de promover palestras para os pais sobre o tema e regular a publicidade infantil, pondo os riscos dessa conduta. Assim, a infância ficará mais protegida.