O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 29/06/2023

Outrora, nas aventuras o Sítio do Picapau Amarelo, conjunto de obras de Monteiro Lobato, o referencial de diversão às crianças era o contato físico com a natureza e amigos. Hoje, o conceito de brincar está atrelado ao uso de aparelhos eletrônicos devido a digitalização exacerbada da sociedade, o que gera debates sobre os limites de controle dos pais e as necessidades dos menores na utilização de telas para sua formação.

Em primeiro plano, é importante entender a criança enquanto um ser social, o qual possui seus sentimentos, desejos e vontades próprias. Relaciona-se a isso, o pensamento do filósofo Aristóteles, o qual trazia que o ser humano é sociável e e está em suas características seguir hábitos da sociedade. Tal ponto é importante de ser analisado pois mostra que a simples proibição do uso de telas aos infantes pode ser uma medida radical, uma vez que a utilização dessas é exercida por pessoas de seu convívio, o que pode gerar sentimentos de exclusão e alienação da criança ao comparar com colegas da escola.

Além disso, a gigantesca evolução de inteligências artificias no mundo tem corrobado para facilitar novas modalidades de crimes, como a cyberpedofilia. Contudo, tal fato gera reações dúbias, alguns pais negligenciam essa triste realidade e não fiscalizam seus filhos, outros agem de maneira de extrema vigilância e coloca em debate os limites de privacidade dos menores. Essa realidade pode ser ilustrada no livro “Confie em Mim” de Harlan Coben, no qual pais instalam câmeras de segurança no quarto dos filhos para supervisionar suas ações na internet. Assim sendo, é necessário entender a fronteira entre observância e confiança na relação parental.

Convém inicialmente, portanto, ao Ministério da Cidadania criar campanhas de conscientização aos pais acerca do uso de telas e da utilização de um diálogo de acordo com as crianças sobre os horários e limites de uso, respeitando assim o espaço infantil e suas opiniões. Além disso, cabe às escolas promover rodas de conversa entre pais, mediada por psicólogos, para a troca de vivências sobre o equilíbrio entre a fiscalização e a privacidade das crianças, o qual geraria insumos para a construção de uma cartilha com boas práticas.