O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 07/08/2023

Consoante o sociólogo canadense Erving Goffman, em seu livro “A representação do eu na vida cotidiana”, as hierarquias e papéis sociais envolvidos no processo interativo humano ditam as ações dos indivíduos. Nessa perspectiva, o tecido social - especificamente pais e/ou responsáveis - age com irresponsabilidade e com apatia, priorizando sua rotina acelerada, fator percebido com o impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil. Desse modo, é fundamental inferir uma causa e um efeito desse impasse, que são: o modo de vida capitalista e redução da comunicabilidade.

Sob esse viés analítico, a antropóloga brasileira Lilia Schwarcz denota que há, no território nacional, a prática de uma política de eufemismos, em que esferas pertinentes para o bom funcionamento da máquina pública são suavizadas, ao não receberem a visibilidade necessária. Diante desse cenário, nota-se uma ocultação do prejuízo que a essência acelerada do capital e do lucro ocasiona, principalmente para as crianças expostas à tecnologia. Nesse sentido, é benéfico para os responsáveis entreter as crianças com elementos digitais, pois facilita a suas rotinas moduladas pelo capitalismo, ao possibilitar a atenção direta dos filhos às telas. Contudo, tal conjuntura desenvolve a dependência infantil a aparelhos digitais e prejudica seus comportamentos e vínculos no futuro.

Por conseguinte, como resultado desse panorama débil, tem-se a diminuição da sociabilidade das crianças, que são alienadas ao focar apenas nas telas. Acerca disso, segundo o filósofo francês Michel Foucault, “Édipo não se cegou por culpa, mas por excesso de informação”. Nesse sentido, é percebido que, com os inúmeros elementos das ferramentas digitais, há, como resultado, um impacto deles nos diálogos e condutas durante a infância e, possivelmente, por toda a vida. Por isso, estabelecer limites é essencial para o bom desenvolvimento do público infantil.

Logo, urge que o Ministério da Educação crie, apoiado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, por meio de campanhas nas escolas, o “Plano Nacional de Incentivo a Interação e a Recreação Infantil”. Esta ação será feita com o intuito de aumentar a sociabilidade entre crianças e conscientizar os pais da importância das vivências em vez das telas, tornando o postulado de Goffman menos corriqueiro.