O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 04/04/2024
Em seu livro “A Casa no Mar Cerúleo”, T.J. Klune aborda a influência que os adultos têm no comportamento e no futuro das crianças. Nesse contexto, é notório que no Brasil atual, muitos pais permitem que seus filhos passem horas em frente a telas de celulares, computadores e televisões, o que pode ocasionar problemas em seu desenvolvimento. Este impasse se da por dois fatores: a invisibilidade do tema e a omissão estatal.
Primeiramente, é fato que a falta de discussões sobre os malefícios de permitir que infantes passem muito tempo em frente a telas impede a mudança do cenário atual. Acerca disso, Djalma Ribeiro afirma que é necessário tirar um tema da invisibilidade para que soluções possam ser aplicadas. Nesse sentido, constata-se que a falta de movimentação ativa para o auxílio no desenvolvimento das crianças persiste, no Brasil, pela falta de exposição dos pontos negativos, como o isolamen-to social e o compromentimento de muitas habilidades físicas e sociais. Dessa forma, a inércia midiática, dos canais de televisão, jornais e redes sociais da origem a uma sociedade que não age em prol do bem-estar infantil.
Ademais, vale ressaltar que a falta de medidas governamentais que visem orientar os pais se configura como outro fator que prejudica o desenvolvimento infantil adequado. Nesse sentido, segundo o filósofo contemporâneo Michel Focault, é papel do estado garantir o bem-estar de todos os cidadãos. Sob esta ótica, a dignidade das crianças brasileiras não está entre as prioridades da esfera administrativa devido a falta de políticas públicas que garantam esse benefício que é promovido, também, pela Constituição Federal de 1988. Dessa forma, os infantes continuam a ter sua capacidade cognitiva e motora prejudicada pelas telas.
Portanto, urge a necessidade de intervenção estatal. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente ao poder público, realizar campanhas que visem orientar os pais sobre os malefícios da exposição excessiva a telas. Tais campanhas devem contar com médicos e enfermeiros qualificados, que devem fazer vídeos e palestras sobre o tema, bem como incentivar a prática de hábitos saudáveis. Dessa forma, os pais terão mais conhecimento em como criar seus filhos de forma adequada e saudável.