O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 15/09/2024
Erika Felix, fisioterapeuta e doutoranda do Departamento de Psiquiatria da EPM/Unifesp, acredita que a infância é um período crucial para o desenvolvimento e é significativamente influenciada pelo ambiente, sendo esse período indispensável para o crescimento cognitivo infantil. Porém, o impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil está se mostrando cada vez mais frequente, fazendo com que essas crianças não tenham esse período de crescimento e aprendizado, trazendo problemas como vícios desde muito novas, além da falta de desenvolvimento motor e cognitivo.
Em primeira análise, é importante destacar que a tecnologia está cada vez mais presente no cotidiano, sendo mais difícil seu controle nas mãos das crianças. Segundo estudo divulgado pelo instituto Opinion Box, nota-se que as crianças brasileiras passam, em média, quase quatro horas por dia em frente a telas móveis, o dobro do recomendado para determinadas idades, e que 44% delas já tem um smartphone próprio. Com isso, dependência, dificuldade para dormir, problemas de memória e concentração e a redução do rendimento escolar mostram-se recorrentes desse vício.
Ademais, crianças muito pequenas que são expostas a telas estão suscetíveis ao atraso cognitivo, distúrbio de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções, e, déficit de atenção, com isso, vários outros problemas vão surgindo na vida dessa criança, como obesidade, sedentarismo e problemas emocionais.
Dado ao exposto, é indiscutível a importância da discussão a respeito desse tema. Portanto, torna-se necessário que os pais sejam mais rigorosos a respeito do tempo de tela dos seus filhos, além de saber e até controlar, se necessário, o conteúdo assistido, usando ferramentas como o controle parental, presente em alguns aplicativos ou sistemas. É fundamental também que os responsáveis pelas redes sociais criem ou reforcem a segurança nas redes, criando mecanismos e regras para classificar uma idade mínima para seu acesso e fazendo que a mesma seja respeitada, a fim de retirar essas crianças do meio digital.