O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 17/09/2024
O filósofo espanhol Adolfo Vázquez afirmava, em linhas gerais, que o aumento da frequência de um determinado evento ocasionaria, erroneamente, sua naturalização. Dessa forma, a exposição excessiva de crianças a telas, começa a ser tratado com normalidade e indiferença. Nesse contexto, o uso constante de dispositivos eletrônicos por crianças tem sido banalizado, e os impactos negativos dessa prática no desenvolvimento infantil são muitas vezes ignorados. Assim, a problemática não deriva apenas da inércia estatal, mas também do descaso social em reconhecer e combater os danos associados a essa realidade.
De início, a inércia governamental é uma das principais barreiras para a proteção das crianças contra a exposição excessiva às telas. A antropóloga Lilia Schwarcz destaca que muitos problemas sociais são suavizados e tratados com indiferença, o que se aplica ao uso descontrolado de dispositivos eletrônicos por crianças. Apesar dos impactos negativos no desenvolvimento infantil, essa questão recebe pouca visibilidade. Embora a Constituição de 1988 assegure o cuidado integral às crianças, a falta de políticas públicas eficazes reflete a negligência diante desse problema crescente.
Além disso, a alienação social agrava o problema da exposição infantil às telas. Como explica o filósofo Pierre Bourdieu em sua teoria da “violência simbólica”, certos comportamentos prejudiciais são aceitos ou naturalizados pela sociedade, mesmo causando danos. No caso das crianças, o uso excessivo de dispositivos eletrônicos foi normalizado, ignorando seus efeitos nocivos no desenvolvimento cognitivo e social. Essa visão distorcida, motivada pela conveniência e avanço tecnológico, desconsidera a necessidade de equilibrar o uso das telas com atividades saudáveis e essenciais ao crescimento infantil.
Outrossim, medidas são necessárias para solucionar a problemática. O Estado deve criar políticas públicas que conscientizem sobre os riscos da exposição excessiva às telas, incentivando o uso moderado e supervisionado. A mídia, por sua vez, deve promover campanhas que ofereçam alternativas saudáveis para o aprendizado e entretenimento das crianças. Assim, promoveremos um desenvolvimento infantil mais saudável e equilibrado.