O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 12/09/2024

As gerações que nasceram no século XXI vivem imersas em um mundo digital marcado pelo paradigma técnico-científico informacional que promove comunicação rápida e instantânea. É possível notar que as crianças estão cada vez mais cedo conectadas às telas como meio de entretenimento (e comunicação). Desse modo, o uso exacerbado das tecnologias em especial pelo público infantil pode acarretar em problemas no desenvolvimento infantil e prejudicar a saúde mental de crianças e jovens.

A primeira infância, compreendida na fase de 0 a 6 anos, é um período crítico de crescimento e maturação. O corpo como um todo e as estruturas cerebrais, em especial, estão em pleno processo de modelação e desenvolvimento. É na interação com o ambiente e com os cuidadores, que as crianças realizam seu potencial na ampliação de habilidades físicas, cognitivas, emocionais e sociais. Interferências e problemas situados nessa fase podem gerar efeitos significativos na plena evolução infantil. O uso excessivo de telas é um deles e tem sido

associado a inúmeros desfechos nocivos de ordem física, cognitiva e comportamental.

Todos esses fatores concorrem para dificuldades de interação e adaptação ao meio social. Considerando, sobretudo, as crianças maiores e adolescentes, entre outros efeitos na saúde mental, evidencia-se maior susceptibilidade para desenvolver depressão, ansiedade, baixa autoestima e transtornos da imagem corporal. Este último é motivo de preocupação especial entre as meninas, levando a risco aumentado de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia, quando tomam para si padrões de beleza irreais e inatingíveis vendidos pela mídia.

Antes de mais nada, dentro do possível, os pais devem dar exemplo e empreenderem esforços reais na redução do próprio tempo dedicado às telas. O recado para a criança deve ser coerente com as atitudes e os valores que os responsáveis adotam para si. É fundamental que as famílias resgatem ou desenvolvam o hábito dos passeios a céu aberto. As crianças aprendem de forma concreta e precisam experimentar o mundo correndo, pulando, escalando e criando um repertório de vivências sensoriais.