O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 10/09/2024
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito à saúde e ao desenvolvimento integral das crianças. Entretanto, o problema da exposição excessiva a telas impede que as crianças usufruam plenamente desse direito constitucional. Com efeito, a solução desse problema pressupõe que se combata não só a falta de regulação sobre o uso de tecnologias, mas também a omissão do Estado em criar políticas de conscientização para pais e educadores.
Diante desse cenário, o uso indiscriminado de telas fragiliza o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Nesse sentido, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, adotada pela ONU em 1959, assegura que todas as crianças têm direito a uma infância saudável e protegida de fatores prejudiciais ao seu desenvolvimento. Ocorre que, no Brasil, muitas crianças estão expostas de forma inadequada às telas, o que pode comprometer habilidades sociais, concentração e até mesmo saúde física, como problemas de visão e sedentarismo. Assim, se o uso de telas continuar desregulado, os direitos firmados em 1959 serão distantes para essa geração.
Ademais, a inércia estatal inviabiliza a regulamentação do uso de telas na infância. O filósofo inglês John Locke, ao desenvolver o conceito de “Contrato Social”, afirmou que o Estado deve garantir os direitos inalienáveis da população. No entanto, a exposição prolongada a telas mostra que o Poder Público brasileiro falha em promover diretrizes e campanhas educativas sobre o uso consciente da tecnologia por crianças. Enquanto essa omissão persistir, o Brasil enfrentará um grande desafio no desenvolvimento infantil: os impactos negativos da exposição precoce a telas.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar os efeitos negativos do uso excessivo de telas. Escolas e famílias devem ser orientadas sobre o uso equilibrado da tecnologia, por meio de projetos educativos, palestras e campanhas de conscientização. Essas iniciativas visam garantir que o direito ao desenvolvimento saudável das crianças seja protegido, conforme preveem as Nações Unidas.