O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 16/09/2024
No filme Wall-E (2008), a humanidade se torna dependente da tecnologia e perde habilidades básicas, como caminhar e interagir socialmente. Fora das telas, estudos recentes acerca do impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil têm ganhado maior relevância na sociedade devido a problemas como a insônia, a redução da capacidade motora e a compulsão alimentar. Logo, é mister discutir a respeito de um uso adequado das telas para as crianças, bem como a responsabilidade familiar.
Nesse sentido, estudos publicados na Scientific Reports apontaram que crianças entre 6 meses e 3 anos tinham, em média, 15 minutos a menos de sono para cada hora passada em frente a uma tela de toque. Ademais, o Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) constatou o risco de as crianças apresentarem dificuldades na execução de atividades motoras, devido à diminuição do sono e à inatividade física, já que o período da infância é crucial para o desenvolvimento motor e cognitivo, sendo fortemente influenciado pelo ambiente, que, por sua vez, pode não ter o controle adequado no uso de telas.
Adicionalmente, uma pesquisa da Universidade de Toronto destacou o aumento da compulsividade alimentar em crianças devido à longa exposição às telas, muitas vezes durante as refeições. Isso faz com que os jovens se entretenham com o conteúdo e não percebam a quantidade e a qualidade dos alimentos que estão ingerindo, o que pode gerar graves consequências a longo prazo, como a obesidade.
Em síntese, muitos dos problemas relacionados à exposição infantil se devem à falta de controle parental. Contudo, nem todos têm ciência de tais problemáticas. Logo, cabe aos governos realizar campanhas públicas de conscientização sobre o uso adequado das telas, abordando como esse uso deve ser feito de forma saudável para cada faixa etária. Outrossim, é de suma importância que as empresas também apresentem esses riscos de maneira clara aos usuários, incentivando um maior controle de tempo de tela e o uso de filtros de luz azul. Com a adoção de tais medidas, será possível mitigar, a longo prazo, os danos à saúde das crianças, promovendo um melhor desenvolvimento.