O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 16/09/2024

No episódio da série “Black Mirror”, é retratada uma distopia em que as crianças perdem parte de suas habilidades cognitivas e sociais devido ao uso excessivo de um novo tipo de celular, o que também evidencia que o desenvolvimento infantil é um processo dinâmico e contínuo, essencial para a formação física, cognitiva e emocional de uma criança. No entanto, na contemporaneidade, a exposição crescente de crianças às telas, sem regulamentação dos pais ou do Estado, levanta preocupações sobre impactos negativos no desenvolvimento social e cognitivo dos jovens. Assim, medidas são necessárias para enfrentar essa problemática.

Em primeiro lugar, o sociólogo Zygmunt Bauman defende que a sociedade contemporânea vive em tempos de “modernidade líquida”, onde as relações humanas se tornam cada vez mais superficiais. Perante o exposto, esse pensamento é relevante quando se observa que as crianças, ao passarem horas interagindo com dispositivos eletrônicos, perdem oportunidades de socialização presencial e interação familiar, essenciais para o desenvolvimento social.

Além disso, é importante considerar a teoria do “hábito de formação”, discutida pelo filósofo Aristóteles. Segundo ele, o ambiente e as práticas repetitivas moldam o comportamento humano, sobretudo durante a infância, quando o cérebro está em desenvolvimento acelerado. Nesse sentido, o uso frequente de telas, como celulares e tablets, desde tenra idade, pode induzir hábitos prejudiciais, como evidenciado por pesquisas de 2023 da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontaram que a exposição prolongada a telas pode prejudicar habilidades cognitivas de crianças, o que reforça a necessidade de ações que limitem tal uso.

Portanto, para garantir o desenvolvimento pleno das crianças no Brasil, o governo deve criar campanhas de conscientização e regulamentar o uso de telas para menores de idade, além de incentivar as famílias a promoverem interações sociais saudáveis e atividades ao ar livre. Desse modo, será possível minimizar os impactos negativos da exposição a telas e assegurar que o processo de formação infantil aconteça de maneira equilibrada, preparando as crianças para um futuro mais saudável e conectado à realidade.