O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil
Enviada em 10/09/2024
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde, educação e bem-estar social como inerentes a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o impacto da exposição excessiva a telas no desenvolvimento infantil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater os efeitos nocivos da exposição prolongada às telas em crianças. Nesse sentido, o acesso irrestrito a dispositivos eletrônicos, somado à falta de campanhas de conscientização, agrava o problema, afetando diretamente a saúde física e mental das crianças, que deveriam estar protegidas pelo Estado. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o bem-estar e a educação de qualidade, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de regulamentação quanto ao uso de tecnologia na infância como impulsionador do problema da exposição excessiva a telas no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, o uso excessivo de dispositivos eletrônicos por crianças está associado a dificuldades no desenvolvimento cognitivo e emocional, além de problemas de saúde como obesidade e distúrbios do sono. Diante de tal exposto, é claro que a ausência de orientações claras para pais e escolas intensifica esses danos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, por intermédio de políticas públicas de conscientização e regulamentação, limitem o tempo de exposição a telas para crianças - promovendo campanhas educativas para famílias e escolas e incentivando práticas pedagógicas que priorizem o desenvolvimento motor e social- a fim de preservar o desenvolvimento integral da infância. Assim, se consolidará uma sociedade mais equilibrada e saudável.