O impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Enviada em 08/08/2025

Na canção “Principia”, o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar o impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil. Nesse sentido, a omissão estatal e o silenciamento da problemática sustentam esse quadro amargo.

Diante desse panorama, é importante destacar que a omissão estatal ocorre porque o Poder Público não visualiza retorno financeiro em investimentos para o deleite da população. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não coloca em prática projetos que assegurem a diminuição do impacto da exposição a telas na infância, exemplos desses projetos que garantem a diminuição excessiva da exposição é: estimular o acesso a atividades não digitais, como a brincadeira livre, a leitura, a criatividade e a realização de trabalhos manuais.

Ademais, é necessário salientar o silenciamento da questão. De acordo com Djamila Ribeiro - socióloga expoente brasileira-, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto a importância de diminuir a exposição a telas no desenvolvimento das crianças, através de palestras e debates sobre as consequências dessa problemática. Nessa ótica, é necessário expor que há consequências no desenvolvimento cognitivo, há aumento de doenças mentais, como depressão, ansiedade e até mesmo, o desenvolvimento de compulsividade alimentar na primeira infância.

Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais, em parceria com o setor midiático, veicular e em TV aberta, a importância da diminuição do impacto da exposição a telas no desenvolvimento infantil. Tal medida tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Então, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.