O impacto da heteronormatividade compulsória nas escolhas afetivas

Enviada em 08/05/2023

No Brasil Colônia, a catequização fez parte de todo o processo de apagamento das individualidades dos escravos. Nos dias atuais, ainda percebe-se a influência desse discurso de ódio camuflado de regras divinas. Com efeito disso, questões como gênero e sexualidade passaram a ser sinônimo de heresia, rebeldia e pecado. Nesse contexto, é importante a discussão da relevância da religião no livre arbítrio dos indivíduos, bem como os impactos associados a uma sociedade heteronormativa e intolerante.

Apesar do Brasil ser um país laico, essa não é a prática, já que sua população é majoritariamente cristã. Na obra literária de Vítor Martins, “Um Milhão de Finais Felizes”, o protagonista Jonas é expulso de casa por sua mãe, que reproduz o discurso que o certo é o padrão hétero-cis e se utiliza das escrituras sagradas para fundamentar sua ação. Desse modo, muitos religiosos perpetuam o pensamento homofóbico, trazendo a obrigatoriedade do seguimento de regras sociais, que surgiram de normas religiosas para controlar e reprimir as massas.

Além disso, segundo dados da Antra, houveram 80 casos de mortes por transfobia no primeiro semestre de 2021, sendo um deles, da transexual Crismilly Pérola, que teve seu corpo jogado em um rio, no Recife, após levar um tiro e sofrer diversos ferimentos com uma pá. Tal quadro, demonstra a falta de tolerância com pessoas fora da normatividade que foi construída com anos de repressão. Assim, tendo casos tão violentos sendo motivados dentro e fora de casa, os indivíduos que se identificam com a sigla LGBTQIA+, são vítimas de uma pressão externa que promove a heterossexualidade compulsória, apenas para não correr risco de vida.

Portanto, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos garantir o incentivo de denúncias por meio de orientação em escolas e propagandas na mídia social. Tal medida tendo como objetivo a coibição de práticas preconceituosas a fim de fomentar a convivência plena da pluralidade. Além de haver a promoção de um estado, de fato, laico, para que tenha a diminuição da intolerância pela religião. Desse modo, casos violentos como o de Jonas, na ficção e o de Crismilly, na realidade, possam ser cada vez mais escassos.