O impacto da heteronormatividade compulsória nas escolhas afetivas
Enviada em 13/05/2023
A Psicanálise, empreendimento científico de compreender a psique humana, foi fundada por um homem que constatou a tendência feminina à Histeria. Hoje, Christian Dunker, também homem, reelabora a teoria, verificando que o conceito não cabe mais tanto às mulheres. Ambos são homens cis de grande influência na ciência da interpretação da mente. Observa-se, deste modo, que a perspectiva não binária é historicamente silenciada, que ainda há uma forte heteronormatividade.
Na cultura isso é bastante notável. Nos filmes e jogos de videogame, histórias como as de Mario e Zelda possuem muita popularidade. Nos dois enredos há o esteriótipo do homem, herói, que salva a mulher, princesa, de uma grande ameaça. Essa caricatura diz, de modo velado, como se comportam os papéis de gênero: a mulher é passiva, o homem ativo e tudo que escape ao sistema binário não é levado em consideração.
Da mesma forma, esses papéis estão incrustados no ponto de vista da instituição militar. O serviço obrigatório, por exemplo, anualmente seleciona apenas homens. Não há, portanto, qualquer menção a outra expressão de gênero, definindo, assim, o exército como um orgão de homens cis para homens cis.
Por fim, é alarmante constatar que há o apagamento de perspectivas nos âmbitos cultural, científico e militar. Faz-se necessário, então, que o governo federal, por meio de financiamento governamental, delegue ao ministério da educação a tarefa de reservar uma modalidade, de ingresso em universidade, exclusiva a pessoas não binárias em cursos sobre cultura e ciência e, ao exército brasileiro, que inclua nos processos de seleção mulheres e adote uma forma de comunicação que inclua a comunidade LGBTQIAP+.